Entrevista com a autora portuguesa do livro “Lexy, o menino vegano” – uma história de amor aos animais

Primeiramente o site Cultura Veg gostaria de agradecer a autora portuguesa Bárbara Magalhães pela entrevista para falar sobre o livro “Lexy, o menino vegano”. Acreditamos que irá inspirar, educar as crianças sobre o direito animal e cativar os adultos também, parabéns pela bela iniciativa!

Vamos começar!

O que motivou você a escrever esse livro infantil?

A vontade surgiu durante a gravidez do meu filho, em 2011, e no contato que fui tendo com diversas famílias vegetarianas ao longo destes anos todos. Foi nessa proximidade que fui descobrindo os dramas que tantas famílias atravessam, nas escolas, com familiares, com médicos, etc. Isso me motivou a falar e escrever sobre veganismo, para crianças e adultos.

 Quem é a artista que fez as lindas ilustrações do livro?

 Chama-se Tânia Bailão Lopes e é também ilustradora e autora de obras como “Romeu, o touro que não gostava de touradas” e “Manel, o amigo Fiel”, ambas debruçadas sobre a temática do bem-estar animal. A Tânia foi uma ajuda gigante na realização deste meu sonho.

Quero que o livro chegue às famílias que já são veganas, e às outras também, porque o veganismo é de todos e para todos!

 Qual o foi objetivo do livro?

 Queria oferecer às crianças uma personagem com quem se pudessem identificar e oferecer aos pais uma ferramenta que auxiliasse esta caminhada que, por vezes, é bem desafiante! O veganismo cresce visivelmente! Podemos ver como o veganismo se espalha pela internet, lojas, restaurantes, notícias, documentários, filmes!

O assunto é falado todos os dias, por isso acho importante que se usem todas as ferramentas de divulgação,  livros infantis podem ajudar muito, já que se dirigem às crianças, que são o nosso futuro! Quero que o livro chegue às famílias que já são veganas, e às outras também, porque o veganismo é de todos e para todos!

 A personagem Lexy existe? Nos fale mais sobre.

 A personagem foi inspirada no meu filho Aléxis, que tem hoje 5 anos. Não queria que fosse uma cópia dele, mas não posso negar que conviver com uma criança vegana, inspirou a fluidez desta personagem. Não é exatamente ele, mas tem muito dele. Na verdade, o Lexy tem um pouco de cada criança vegetariana que fui conhecendo ao longo dos anos.

 Qual a reação dos pais não veganos? Eles apóiam a leitura do livro?

 Felizmente a reação tem sido muito boa! Muitos pais não veganos têm comprado o livro ou recebido ele de oferta, e me dão os parabéns por transmitir a mensagem do veganismo sem choque ou descriminação, porém de forma honesta e clara. Tive o cuidado de criar um livro que pudesse ser lido por famílias veganas e por famílias não veganas, um livro que pudesse abraçar os que já deram o passo e compreender também os que ainda não deram.

 Como o veganismo entrou na sua vida?

 Em 1998, num canal da TV portuguesa, houve um debate sobre animais e os seus direitos. Nessa noite, passaram uns vídeos cedidos pela PETA, sobre a realidade da exploração de animais. Foi aí que o meu mundo ruiu, como se eu, até aí, tivesse vivido num sonho… Foi um choque total ver aqueles porcos, vacas, galinhas, patos, sendo pisados, cortados, esfaqueados, pontapeados, foi um choque ver animais perder a sua pele ainda vivos, ver animais nos circos recebendo choques, ver animais de laboratório sendo forçados a receber substâncias tóxicas na pele, nos olhos. No final desse vídeo, a jornalista perguntou ao presidente da PETA “o que podemos nós fazer para mudar esta realidade?” e ele respondeu “tornem-se vegetarianos”. Para mim foi toda uma nova realidade, não conhecia ninguém vegetariano, moro numa terra pequena, não havia ninguém assim por aqui! Comuniquei imediatamente aos meus pais que não comeria mais animais (nessa altura eu ainda não imaginava que os lácteos e demais derivados, contribuíam também para o sofrimento deles). Durante esse ano, a minha jornada não foi 100% correta, porque a minha mãe ia colocando carne escondida na sopa e me fazendo ceder de diversas formas (porque estava preocupada comigo), por isso considero que só deixei de comer animais em 1999. Demorei 10 anos a deixar de consumir derivados, infelizmente, pois consumia ovos das galinhas da minha avó e algum queijo. Só no final de 2009 deixei de comer, totalmente, produtos de origem animal.

É possível comer bem sendo vegano! É possível e recomendável! Não faz sentido acreditarmos que precisamos do leite duma vaca para sobreviver!

 O que você falaria para as mães que estão com medo de deixarem seus filhos serem veganos?

 Que se informem muito, que entrem em contato com famílias que são veganas, que tenham criado bebês e crianças veganas, para poderem receber dicas e apoio! Isso é muito importante! Sei que pode ser muito difícil receber críticas e ameaças de familiares, amigos, médicos, etc, por isso é importante que conheçamos bem o terreno que pisamos, para que os olhares, as ameaças e os avisos dos outros, não nos deixem sempre inseguros! É possível comer bem sendo vegano! É possível e recomendável! Não faz sentido acreditarmos que precisamos do leite duma vaca para sobreviver! Somos humanos, não somos vacas, cabras ou ovelhas! A carne e o peixe não têm nada mágico que precisemos para respirar ou ganhar músculo! Proteína há até na fruta! Animais são animais, seres que respiram como nós! Fruta, vegetais, cereais, sementes, isso é comida! Comida para humanos, comida que não precisa ser disfarçada, camuflada, para que a consigamos comer. Essa é a nossa natureza, não temos instinto de morder uma vaca ou enfiar as unhas num porco. Zero! A comida vegana é absolutamente maravilhosa!

 Onde podemos comprar o livro?

 O livro, neste momento, está vendendo através da página no facebook clique aqui. Estou agora no processo de encontrar Editoras/distribuidoras brasileiras, para poder levá-lo até vocês duma forma mais simples e econômica. Se quiserem entrar em contacto comigo, podem fazê-lo através do email lexyvegano@gmail.com ou da página do livro. Vamos levar o veganismo a todos!!! Somos muitos!!!

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