Livro VEGAN YOGA: Entrevista com o autor Oberom

img_livro_vegan_yogaVeganismo e Yoga: existe uma relação? Em seu mais recente livro, Oberom Om aborda a relação entre a não-violência promulgada pelo veganismo e os preceitos sagrados do Yoga. Confira a entrevista com o autor de “Vegan Yoga” e aprofunde-se em um tema tão interessante como este!

Bem, vimos que seu livro tratará da relação entre Yoga e veganismo. Gostaríamos que você nos falasse um pouco dessa relação, ou seja, por que o Yoga é importante para o veganismo ou vice-versa?

O Yoga tem como meta a libertação (o próprio sentido maior da palavra Yoga – União – remete à transcendência do plano fenomênico que estamos encarnados, ou seja, à libertação), para isso observam-se preceitos éticos que colocam a/o praticante – sadhaka – em uma via onde pode ir transmutando o resultado das más ações e se libertando dos “fios” que os mantém atados a própria ação. Assim sendo, toda atividade que gera sofrimento no outro, aprisiona.

No alicerce da senda do Yoga está esse conjunto de “normas”, que é realmente o que diferencia a/o praticante de Yoga de outras práticas que envolvem trabalho físico. São elas os yamas e niyamas, que envolvem não-violência, veracidade, não-roubar, não-promiscuidade, desapego, pureza, contentamento, disciplina, auto-estudo e sincera entrega à Consciência Maior. No livro, vamos ver que a não adoção do veganismo infringe cada uma dessas setas norteadoras e também os outros seis passos seguintes.

Como existe esta relação entre Yoga e veganismo, ficamos curiosos para saber se a adesão ao veganismo é algo importante para quem quer ascender como discípulo do Yoga.

O Yoga trabalha por diferentes vias em cada ser. Ele ou ela pode começar porque se sentiu bem praticando algumas posturas e o próprio processo do Yoga os levará a um entendimento maior até fazê-los observar estes princípios. Mas também, eles podem se empenhar em observar os princípios e perceber que todo o conjunto os fará bem, e logo, os praticantes estarão desenvolvendo uma atenção ao fortalecimento e equilíbrio do corpo, trabalhando com a energia vital, com práticas de como focar a mente, repousá-la sobre um ponto e relaxar profundamente (…). O que quero dizer é que o veganismo não é pré-requisito para o desenvolvimento de uma pessoa dentro do Yoga, mas é algo que infalivelmente terá que se observar com o decorrer do desenvolvimento no Yoga, pois, do contrário, se estará negligenciando seu próprio desenvolvimento dentro do caminho. Não importa por qual via a pessoa entre na senda do Yoga: dentro do processo, o veganismo – para os dias de hoje – é fundamental para que o Yoga promova seu objetivo.

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Fonte fotos www.conscienciapranica.com

Sabemos, por exemplo, que nem todo aprendiz ou mesmo instrutor de Yoga é vegetariano, quiçá vegano. Você acha que O Yoga desvinculado do veganismo, então, pode ser visto mais como uma atividade física do que como uma atividade espiritual?

Sem dúvidas, há muita rebeldia no caminho espiritual. Os egos das pessoas se fortalecem muitas vezes, o que, a meu ver, poderia ser justamente o contrário. Desta maneira, as pessoas vão acumulando conhecimento e utilizando-o para justificar suas ações degradantes e não para impulsionar sua conquista sobre elas. Assim, os que se acomodam em hábitos que contrariam sua própria natureza dizem que “não tem nada a ver a dieta com o Yoga”; alguns não sabem que há um princípio totalmente direcionado a isso – mitahara – que é observar uma dieta vegetariana moderada; entretanto, se formos observar o porquê de ser pedido uma dieta vegetariana (que na tradição é lacto-vegetariana), vamos ver que, para a realidade dos dias atuais, para contemplarmos o motivo central que é a não-violência (ahimsa), será imprescindível a adoção de um comportamento vegano. Assim, quem se rebela contra os princípios éticos, estará fazendo outra coisa, mas algo que não se chama Yoga.

E sobre a ascensão espiritual, você costuma falar bastante sobre prana e a alimentação através da luz. Você acha que o veganismo é um passo necessário para alimentar-se de prana?

Com certeza sim e principalmente para viver de luz, pois para isso deve-se manter um padrão elevado de vibração, mantendo e dando manutenção ao contentamento. Aliás, esta postura coloca os discípulos em uma consciência que os preenche, os satisfaz (incluindo o hábito de comer), só que para que isso aconteça, para manter esse estado, não se pode estar gerando sofrimento em seres indefesos e inocentes e, então, a observação sobre o tipo de entretenimento, dos alimentos e outros produtos de consumo não deve estar vinculada às atividades dos praticantes.

Na sua vida, o que aconteceu primeiro: o veganismo ou o Yoga?

Comigo foi o Yoga. E ele me ajudou muito na adesão ao veganismo, pois o Yoga nos convida a ser determinado, desapegado, consciente (…). É claro que não precisamos do Yoga para sermos veganos, mas na minha trajetória ele ajudou.

Você se tornou vegano diretamente ou passou pelo vegetarianismo antes. Se sim, que dicas de transição para o veganismo você daria para as leitoras e leitores vegetarianos?

Eu nasci e cresci lacto-vegetariano e aos 17 anos comprei uma briga com meu ego quando soube que matavam os bezerros para fazer o coalho, que é a substância que coagula o leite e o torna queijo. Assim, aos trancos e barrancos abandonei o queijo, mas seguia forte com o iogurte, a manteiga e os produtos que envolviam leite (bolo, chocolate etc.). Aos 20 anos (tenho 30 hoje), vi a cena de um bebezinho de vaca preso numa corrente, num galpão escuro, para se tornar baby beef e descobri que isso só acontecia porque ele era indesejado na indústria do leite. Ou seja, arrancavam os bebês de suas mães para ficar com seu leite. Pronto, não podia mais conviver com isso. Me tornei vegano, pois junto com essa descoberta inconveniente também parei de usar couro, seda, lã, produtos testados em animais, transporte animal e a minha compaixão por eles cresceu muito.

O que recomendo é que tenham coragem de se informar. Assistir a documentários, palestras, ver com os próprios olhos e baixar a guarda, deixar de ser reativo ao que não lhe convém, ao que te incomoda (ou incomoda ao ego).

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Fonte fotos www.conscienciapranica.com

O lançamento do livro acontecerá no dia 17 de dezembro. Você poderia nos falar um pouco sobre o que está preparado para este lançamento?

Acredito que o lugar vai estar bem cheio, pela quantidade de pessoas confirmando presença, o que levará a uma palestra. Assim, falarei dessa relação do Yoga com o veganismo e veganismo com Yoga, um pouco de minhas experiências, algum espaço para perguntas e respostas e então sentarei para fazer as dedicatórias!

E se a pessoa quiser comprar o livro online, existe algum site disponível?

 Bem, o livro será bem distribuído e estará nas grandes livrarias do Brasil, assim será possível comprar pelo site das mesmas, mas também pelo site da editora “Alfabeto”. E uma opção que gosto bastante e me ajuda muito na viabilização de meus trabalhos pró-libertação animal é comprar diretamente comigo; basta escrever e fazemos tudo de forma simples.

Você deve ter um grande conhecimento de livros, filmes e músicas sobre veganismo. Você poderia nos citar livros, filmes e até músicas que poderiam inspirar a leitora ou leitor a seguir este caminho?

Para composição do livro, li realmente muita coisa interessante, livros, monografias etc. Tem muito material disponível, especialmente em inglês, para quem tem facilidade com a língua. No meu top list está o livro da Sônia T. Felipe Galactolatria: mau deleite. Também achei muito interessante a abordagem da Carol J. Adams no seu “A política sexual da carne” e o clássico de Peter Singer “Libertação Animal”. De receitas, recomendo muitíssimo os livros de Maria Laura Garcia Packer, “Vegetarianismo: sustentando a vida” e “Viver Vegetariano”, cada um traz 108 receitas veganas muito boas. De documentários, acho que “A carne é fraca”, da Nina Rosa, tem uma aura que revoluciona mesmo, não é forte nível master tipo “Terráqueos”, mas também não esconde nenhuma verdade e vem recheado de informações. O recém-chegado ao Brasil “A conspiração da vaca”, é muito bom! Felizmente, existem vários outros que também são maravilhosos! De música, sem dúvida nenhuma “A Dupla Caipira de Reggae”.

Agradecido pela oportunidade de divulgar esse material que traz essa ótica tão importante para a comunidade yogi. “Que todos os seres de todos os mundos sejam felizes” – Rig Veda

Namaste!

Gratidão!

Para mais informações sobre o Lançamento do livro “Vegan Yoga” clique aqui para acessar.

Para comprar o livro diretamente com Oberom: portalparvati@yahoo.com.br