Mister Lúdico fala sobre veganismo e arte no Cultura Veg. Confira

A equipe Cultura Veg entrevistou o artista e vegano Mr. Lúdico sobre sua arte, veganismo e espiritualidade, veja no que deu a entrevista exclusiva com ele.

Como surgiu o seu nome, Mr. Lúdico? Isto tem relação com o fato de que você atua em diversas vertentes do mundo artístico?

Essa alcunha surgiu em um momento de inspiração espontânea, fenômeno vulgarmente conhecido como”idéia”. O que é “ter” uma idéia? Se aquele pensamento não existia no meu campo cognoscível até aquele instante, quer dizer que me escapa a possibilidade de dissecar a sua origem ante o jugo árido do intelecto racional? A resposta é sim!

O nome Mister Lúdico chegou em minha mente como o clarão do relâmpago antecede o trovão, de forma simples e direta, portanto, inexprimível em meras palavras carregadas de vícios de linguagem as quais só podem trazer uma tosca descrição limitada baseada na experiência do fenômeno em sí.

A palavra “lúdico” exprime brandura, brincadeira, diversão etc.De forma lúdica, pode-se tratar da Verdade Absoluta de forma magistral, rompendo mordaças do status quo psico-social. É como assustar alguém com um balde cheio de água, que na hora H, dá um banho de confetes na vítima. Tudo muda a cada milésimo de segundo, até mesmo cada célula que compõe o seu corpo físico. Passado, presente e futuro são paradigmas que tendem a abandonar sua pré-existência condicionante perante as mentes despertas dos seres humanos que podem, puderam ou poderão sentir o toque do fragmento do lampejo que reluz a visão do seu “Ser” , além do “existir”, como almas transcendentais. Não se acomodar é a ordem da vez para com as leis que vem das entranhas da Terra, da vastidão dos oceanos e do espaço sideral

Expresso-me como artista-arteiro-artístico, estimulado ( na verdade “arrastado”) pela intensa curiosidade e fascínio que são pré-requisitos de todo investigador da Verdade. Mister Lúdico: nada mal como alcunha heróica de um consciente rapaz surfista do Tao.

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Você é um artista bastante multifacetado, atuando em diversas áreas do mundo artístico, como teatro, música, composição e literatura. Fale-nos um pouco de como o veganismo se correlaciona com a sua arte. Isto é, se o veganismo inspira a sua arte de alguma maneira.

A alimentação consciente é uma relação de amor não só com o seu corpo-mente, mas também com o corpo-mente da mãe Terra. Como uma amorosa mãe oferece o seio ao filho para se alimentar, e não algum elemento inadequado à fisiologia da espécie humana, o planeta nos oferece uma vasta gama de alimentos nutritivos, naturais e adequados para o equilíbrio sustentável entre produção e consumo agrícolas e alimentação e metabolismo humanos.

Infelizmente, as pessoas tem mais consciência e se importam mais com a qualidade do combustível que colocam em seus automóveis do que na atividade do sistema digestivo e sobre a real utilidade e necessidade dos alimentos que ingerem.

Por definição científica, “o significado de boa digestão compreende três processos básicos no corpo: 1- os alimentos são reduzidos a seus componentes nutricionais; 2-Os nutrientes são absorvidos, distribuídos às células e eficazmente metabolizados; 3- Os resíduos derivados da redução e do uso dos alimentos são completamente eliminados pelos sistemas e órgãos secretores.”

Refletindo sobre essa definição, podemos perceber a importância vital que a dieta vegetariana exerce sobre a vida vivida com bem-estar físico e clareza mental.

“Elementando-se” de substancias estranhas à ação do metabolismo humano, contribuímos de forma avassaladora para a formação de quadros crônicos de inflamação de tecidos e geração de radicais livres que comprometem as estruturas de DNA, as membranas celulares, o nível Ph dos fluídos internos, a microbiota intestinal, etc.

As pessoas não se tornam veganas, elas se DESCOBREM veganas! É como quando ficamos sabendo que o papai Noel não existe. As sepulturas, ou os fornos crematórios são os finais dignos para um cadáver em decomposição, não os frágeis e inteligentes estômagos humanos. Provendo o seu veículo psicofísico de matéria biodisponível que não gera muitos resíduos no meio interno, o equilíbrio perdido entre mente e corpo pode ser vivificado novamente, resgatando a comunicação eficiente e sutil que existe entre os diversos aspectos da operação da energia vital em um corpo material.

Da mesma forma que nos adaptamos aos ciclos da natureza sem podermos subjugá-los a nossa vontade, tudo o que vive sobre a Terra tem sua matriz energética sabiamente designada pelas leis naturais, e o ser que se volta contra essas leis irredutíveis padece com as consequências degenerativas que advém de hábitos tão irracionais.

Em todas as minhas atividades, o veganismo potencializou meu desempenho, sejam elas físicas ou intelectuais, graças a provisões mais abundantes de vitaminas antioxidantes e minerais.

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Dentro deste assunto, gostaríamos de saber se você considera que a arte e a sensibilidade que os artistas possuem, facilita a adesão ao veganismo, já que muitos artistas são mais sensíveis à condição humana e dos outros seres vivos em geral.

Evidente que sim, pois os processos mentais e fisiológicos se beneficiam enormemente com uma dieta a base de vegetais, o que proporciona uma maior capacidade de empatia e compaixão.

No mesmo tema, você considera, então, que ser artista influenciou você a virar vegano? Ou foi o veganismo, que te levando a refletir sobre diversas questões do mundo, te fez um melhor artista?

Uma das qualidades do artista é a capacidade de analisar com imparcialidade. O destemor em continuar pesquisando e desvelando a Verdade é o que chamam de espírito científico, ou a capacidade de deixar preferências e opiniões que tem como base o preconceito de lado, e mergulhar no fluxo ininterrupto da expansão constante da Suprema Verdade amorfa-multiforme.

Isso me despertou para o veganismo. A contínua busca pelo aprimoramento nos leva para a simplicidade essencial que sustenta toda a dinâmica entre as polaridades (ying-yang) complementares que se interpenetram formando o ato universal. Onde existe mais energia contida, nas turbinas das gigantescas hidrelétricas ou na fissão nuclear de um único átomo invisível aos olhos que tanto confiamos para concluir inverdades sobre o mundo? Percebe o quanto o sutil e despretensioso reserva maiores potencialidades que o grosseiro e espalhafatoso?

O reino vegetal é nosso aliado e nós somos seus aliados também. A estrutura da célula vegetal difere em alguns aspectos da célula animal. Essas células vegetais, quando passam para dentro do corpo humano, dão um passo na escala evolucionaria no ciclo da matéria, tornando-se de classe animal e servindo com outras funções, qualidades e desafios. Isso deveria ser reconhecido pelos paspalhões que costumam justificar a matança de animais para comer, proferindo infantilidades como “você mata o alface pra comer”. Nada mais distante da realidade. Basta tomar para exame um alface na feira, vigoroso e esbanjando energia vital. A própria palavra vegetal vem do termo latim e significa “integral, sadio, fresco, vigoroso”, nada mais distante da concepção largamente aceita pela maioria da população que denomina como “vegetando” uma pessoa inativa e/ou inexpressiva. Quantas pessoas você conhece que querem ir para o céu e adquirir um corpo semi-divino perfeito para desfrutar algumas eras no paraíso, após abandonarem o corpo físico? É mais ou menos o que acontece quando as unidades celulares que compõe os vegetais passam a habitar o micro-cosmos existente dentro de cada um de nós.

Enquanto continuar a existir açougues e bombonieres, o ser humano estará fadado a adoecer com enfermidades que resultam de hábitos alimentares repugnantes.

Agora outro assunto: nós sabemos que você também é instrutor de ioga. Para muitas pessoas, a filosofia oriental tem uma influência muito forte na reflexão sobre os direitos dos animais. No Budismo, por exemplo, evita-se matar e fazer sofrer qualquer criatura. Gostaríamos de saber se houve alguma influência por parte desta filosofia no seu ativismo a favor dos animais e também na sua arte.

Influencia sim, e muito. A filosofia oriental ampliou minha percepção sobre os fundamentos dos fenômenos naturais da existência material. O sábio vê no boi, no grilo, no homem, no semideus e em tudo o que o cerca, a mesma presença divina que origina e mantenedora de todas as variedades temporárias que coexistem dentro da manifestação cósmica e que, por efeito da influencia da ilusão e ignorância fundamentais, produzida pelo contato dos órgãos dos sentidos materiais limitados com a matéria, a energia e a mente, distinguem entre objeto e sujeito como se fossem coisas distintas entre sí.

A unidade de toda a vida, que pulsa em todas as variedades de entes vivos móveis e inertes, pode ser sentida por todo aquele que sintoniza sua glândula pineal na freqüência de campos vibratórios que ressoam de além do véu universal.

Assassinar um animal para pegar suas partes esquartejadas e enfiar na boca pra mastigar e engolir?

A carne é uma substância cadavérica, portanto consta apenas de tecidos em putrefação.

Fazendo de seu corpo a sepultura de inúmeros restos mortais, não é preciso ser muito criativo pra vislumbrar o tipo de sintonia cósmica que você vai sintonizar.

O que vem do matadouro? MORTE!

Como um ser humano pode se alimentar de produtos que se originam de tal funesto local?

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Sobre ativismo, nós vemos atualmente muitos artistas estado-unidenses aderindo ao veganismo por uma questão de saúde, os quais, infelizmente, desconsideram o importante papel do veganismo na libertação animal. Você acha que este tipo de veganismo menos engajado é uma forma de capitalizar o movimento ou você considera que mesmo que não haja uma reflexão mais profunda, já é um ponto positivo que o veganismo comece a adentrar na mídia em geral?

Eu fico muito feliz com isso. A meta é salvar a vida dos inocentes que viram churrasco. Quanto mais pessoas se inspirarem por veganos famosos, menos bifes acebolados teremos nas mesas das famílias.

Para finalizar, você poderia nos indicar alguns de seus artistas preferidos e se algum deles também compartilha dos ideais veganos?
  
Bruce Lee, Alexis Arguello, Joseph Pilates, senhor Krishna, senhor Budda, Aurélio Galleppini, Gian Luiggi Bonelli, Lao Tsé, Bodhidarma, Milarepa, Dr. Alberto Peribanez, Dieno Castanho (naturista), Muhammad Ali, B K S Iyengar, Dr. Gabriel Cousens, Prabhupada, A. Balbach, Andreas Moritz, Zacharia Sitchin, Buddy Rich, Jimi Hendrix, Mestre Irineu, Akira Toriyama, Carlos Castaneda etc…

Acho que alguns deles eram vegetarianos. O que tenho certeza é que devido a inteligência e abertura da mente de todos, com apenas algumas conversas e explanações embasadas sobre os benefícios individuais, sociais e mundiais da dieta vegana, TODOS dariam esse exemplo e seriam ainda mais reluzentes e prodigiosos!

Por fim, dentro deste assunto, indique um filme ou documentário e um livro, se for possível, que merecem ser lidos por quem procura conhecer mais sobre veganismo.

Livros:

“Nutrição evolutiva”, Dr. Gabriel Cousens

“O Décimo segundo planeta” : Zacharia Sitchin

“100% vegetariano” : Dra Brenda Davis e Dra Vesanto Melina

“ Aforismos”: Bruce Lee

Filmes:

“Bodhidarma”

“Muhammad Ali : Through the eyes”

“Fist of fury”: Bruce Lee

Documentários:

“A carne é fraca”

“Terráqueos”

“Alma”, do diretor francês Patrick Rouxel

“O milagre de Gerson!”

Gratidão!

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