Movimento VEGANIZE-JÁ Entrevista Exclusiva!

Você conhece o “Veganize-já!”? Bem, se você não conhece, você deve ler esta entrevista agora e não perder mais tempo. O movimento “Veganize-já!” é um grupo de ativistas veganxs libertárixs, sem hierarquia, sem liderança, apartidários e que resolveram botar a mão na massa para divulgar o veganismo para a população de Campinas e região. De fato, muitas vezes nós achamos que ser veganx é apenas boicotar, mas o “Veganize já” mostra que podemos ir além e ajudar ainda mais animais humanos e não humanos e ao meio-ambiente, através da ação direta no dia a dia. Com cartazes, arte, pintura e frases muito conscientes, eles vão tocando a população da região e com isso, mais e mais gente começa a se tornar veganx. Curiosx? Confira a entrevista!

Cultura Veg – Por que você se tornou veganx e o que te fez sair do veganismo como estilo de vida para algo mais ativista do gênero do “Veganize já”?

Comecei como vegetariano, em 1999, e vegano em 2004, mas foi uma pena não ter conhecido o veganismo antes. A única coisa que me motivou a ser vegetariano foi a compaixão pelos animais, e um dia acabei me perguntando como eu poderia assumir ser contra rodeios e touradas, mas ainda sim comer carne? Já em 2004, após conhecer o veganismo e a passar a conviver e descobrir mais o movimento, outra pergunta novamente se colocou: o que eu iria fazer, sabendo que leite e ovos são tão cruéis quanto um pedaço de um amigo no prato? Ou eu pararia com tudo, excluindo leite, ovos, mel e derivados animais, ou eu deveria voltar a comer carne. Eu nunca consegui admitir ser vegetariano e ficar na zona de conforto e desta maneira eu sempre busquei alguma forma de fazer a mudança, ficar atento a qualquer brecha, seja no trabalho, no relacionamento, na ida ao mercado, junto ou sozinho.

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Cultura Veg – A distribuição gratuita de DVDs dos documentários veganos é bem criativa e imagino que também muito eficiente. Qual é a reação das pessoas quando vê você distribuindo DVDS “de grátis”?

Tínhamos certo número de documentários relacionados aos direitos animais (“A Carne é Fraca”, “Terráqueos”, “Não matarás”, “Olhe nos olhos” etc) e queríamos, de alguma forma, fazer isso se expandir para mais aparelhos de DVDs, com mais pessoas assistindo sobre a realidade que, ou as pessoas “não sabem” ou simplesmente não querem saber. Não sei dizer quando começou, mas a partir de 2005 comecei a gravar vários DVDs e emprestava ou vendia em shows de Hardcore / Thrashcore / Grindcore, pois como as pessoas nos shows costumavam ter banquinha de camisetas e CDs de bandas, eu queria ter uma banquinha com coisas relacionadas à informação sobre a luta pelos animais; ou seja, DVDs, bottons, panfletos, adesivos etc.

Teve uma vez que gravei vários DVDs e deixei numa prateleira de um terminal de ônibus; outra vez, graveis vários DVDs do “Não matarás” e fui em 2 universidades distribuir para alguns alunos, onde, infelizmente, fazem ainda uso de animais vivos no ensino e na pesquisa. Em 2013 decidimos criar uma DVDteca, com devolução quinzenal, mas ela ficou parada e só retornou no dia 1 de novembro de 2014, no dia mundial do veganismo. Apesar disso, ainda não há previsão para a próxima edição.

O que nos impede de continuar é a falta de voluntários, pois temos sim muitas mídias novas para serem gravadas, mas falta gente para ajudar nas gravações. Na DVDteca, a gente deixava claro para a pessoa que se interessava em assistir, que era um empréstimo e que daqui a 15 dias ela teria de devolver. Muitas pessoas não devolviam e como pedíamos telefone de contato, muitos números não atendiam. Entretanto, muitas pessoas devolviam também e pegavam outros para assistir. A gente fazia da seguinte forma: “você leva o DVD e se gostar pode ficar com ele, mas pedimos uma mídia nova para gravarmos mais documentários para emprestar para mais pessoas”; a pessoa voltava com uma caixinha de 25 DVDs novos, dava dinheiro suficiente para comprarmos umas 40 mídias novas, 60 mídias novas etc; um amigo nos deu 100 capinhas de DVDs e a esposa de outro colaborador nos deu 50 DVDs e mais 100 plastiquinhos. Pretendemos voltar em breve com essa atividade. Muitas pessoas se interessam e passam a pesquisar mais sobre o assunto. Quando algumas pessoas nos veem na rua (não dá para lembrar de todo mundo) elas dizem que os documentários as influenciaram e elas passaram a refletir mais sobre o tema!

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Cultura Veg – Ainda neste tópico, elas costumam fazer muitas perguntas e se interessam por saber o que é o veganismo e do que se trata o DVD ou só pegam um e já saem andando?

No geral, há pessoas que perguntam muito sobre o assunto. Outras, infelizmente, fazem a gente perder tempo com comentários inúteis, bem especistas. Mas acho que sem querer, respondi um pouco desta pergunta na resposta anterior.

Cultura Veg – Você já passou por alguma experiência bem positiva em que alguém se disse interessado no veganismo após um diálogo ou após ter visto um vídeo que você indicou?

Sim, mas atualmente eu nem me empolgo com essa reação. Antigamente eu adorava, mas com o passar do tempo passei a não gostar da conduta “virei veg por sua causa!”, pois se a pessoa, não importa o motivo de escolha, optou por sua causa, sinceramente isso é insignificante e não deve ser considerado, pois o motivo dela é você e a chance disso ser quebrado é muito grande. Nossas escolhas devem ser feitas absolutamente por nós, por pura convicção, por escolha, e o motivo para eu ter “virado” veg deve ser apenas e exclusivamente os animais. Estando convicto disso, a chance de eu pisar na bola com a escolha que fiz, é pequena ou praticamente ZERO.

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Cultura Veg – Fora as reações amigáveis, já ocorreu alguma reação negativa por parte de alguém?

Sim, infelizmente sempre existe aquele “xarope” querendo causar, incomodar. E não é algo de questionamento, sobre o porquê somos isso, fazemos isso e não aquilo etc. É puro preconceito, puro interesse em incomodar. É como se estivéssemos numa convivência com mulheres, negros, crianças e, ao mesmo tempo, a presença de uma pessoa com comentários e atitudes sexistas, racistas, pedófilas.

Cultura Veg – Vi que o movimento faz intervenções na Assembleia Legislativa. Qual é geralmente a reação dos políticos e dos policiais? Algum curioso interessado em saber mais?

Estivemos presentes na Câmara dos Vereadores de Campinas e Valinhos, ambos em São Paulo, reivindicando contra a questão do rodeio ou apoiando a votação contra o uso de animais vivos em testes – que infelizmente era só para cosméticos e não para a abolição total. A reação dos políticos, eu não levo muito em consideração e nem confio, pois a maioria deles tem interesses pessoais. Precisamos de políticos comprometidos com o veganismo. Já os policiais, em sua maioria, eu não tenho duvidas de que eles têm certa simpatia para com a causa animal, já que, em sua grande maioria, nunca os vi agir com truculência contra ativistas nas manifestações em que estive presente.

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Cultura Veg – Se alguém se interessar em participar ou ajudar o “Veganize já”, como a pessoa deve proceder?

Já participei de alguns grupos e, às vezes, pode ser difícil a convivência e a proposta de estratégias. Evidentemente que é importante sim a participação ativa de grupos, com certeza! Mas como sabemos das dificuldades, da falta de comprometimento de alguns e a vontade de outros, eu valorizo muito o espírito de ativismo independente. Em primeiro lugar, todxs deveriam, obrigatoriamente, estar comprometidos com o ativismo independente, para depois querer participar de algum grupo. Qualquer pessoa pode participar ou ajudar em nossas ações e atividades, mas deixamos claro que o cunho é exclusivamente vegano, exclusivamente abolicionista. É só entrar em contato! Mas antes disso, eu gostaria muito que a pessoa, ou as pessoas, se envolvesse em praticar o ativismo independente no dia-dia. Eu sempre costumo dizer: “prefiro todo mundo desunido e produzindo algo, do que todos unidos e não produzindo absolutamente nada”. Não dá para fazer ativismo apenas uma vez ao ano, por exemplo, escolher o Natal, fazer algo e basta e ano que vem a gente faz mais. NÃO! A luta é diária e, para isso, temos de agir como caçadores de oportunidades, sempre buscando alguma brecha para produzir algo; seja no trabalho, na faculdade, no relacionamento ou qualquer lugar em que a brecha surgir. Pegue-a e faça!

Cultura Veg – Por fim, você poderia citar um livro, um filme e/ou uma banda vegana que te inspirou neste caminho?

Gratidão pela oportunidade! O que eu gostaria de dizer é que deixar de fazer algo por estar sozinho é pura desculpa esfarrapada, não cola, não convence! Dá para fazer muita coisa sozinho sim e causar impacto sozinho sim. Por exemplo, se não há ninguém com carro para ajudar a carregar madeiras por alguns quilômetros, para fazer um painel com algum desenho ou frase em prol do veganismo, oras, FAÇA VOCÊ MESMO! Tente ir de ônibus, consiga alguma bicicleta ou carrinho, ou vá a pé mesmo. Se cansar, pare para descansar e continue. Eu não posso afirmar que faço as coisas sozinho; não tenho esse direito! Pois mesmo que esteja sozinho para carregar coisas, alguma pessoa distante nos ajudou com grana para comprarmos algum material e essa ajuda é extremamente importante. Se você é um ativista e faz as coisas sozinho, procure sempre dizer na 1ª pessoa do plural: “nós fizemos” e mantenha sempre que possível o anonimato. O ativismo é feito por ativistas, não por fulano ou sicrano. Eu era punk e comecei a conhecer o público “straight edge”, no qual tive identificação pela negação ao uso de álcool, cigarros e drogas; em seguida, me interessei mesmo pelo vegetarianismo, e veganismo. É muito importante nos aprofundarmos e buscarmos sempre informações, além dos conflitos em nossa própria consciência ou até mesmo os conflitos entre pessoas. Hoje posso falar que produzo muito mais como ativista independente, do que quando estava em grupos, mas isso não é regra: esteja sempre junto com pessoas que queiram produzir, trabalhar e trabalhe sempre. O primeiro livro que li e comprei foi “Aprendendo a Respeitar a Vida”, depois disso busquei sempre me manter informado, podendo citar como fonte a “Libertação animal”, “Jaulas Vazias”, “Revista Vegetarianos”, uma boa lista de artigos, livros e materiais em geral sobre vivissecção/experimentação animal. Este último tema, aliás, foi escolhido para meu TCC, na graduação de Biologia, curso que escolhi e em que procurei encontrar todas as possibilidades de abordar o veganismo nas aulas. Assim, mesmo quando houvesse apenas uma minúscula brecha, eu abordava o tema e, portanto dói esta dica de abordar o tema se você estiver prestes a cursar uma universidade. Sinta-se obrigado a fazer o mesmo. Curto muitas bandas que tratam sobre veganismo de alguma forma em suas letras: Disarm, Disrupt, Violator, Goldfinger, Confronto, Espermogramix, Batle Of Disarm, Futuro Vega Pop etc. Muitos filmes, mesmo aqueles com uma rápida cena, com certeza chamam atenção; o primeiro que eu assisti ainda criança e, em que não esqueço nenhuma cena, foi o “Projeto Secreto – Macacos”, Documentários: “Behind the Mask”, “The Cove”, “Olhos nos olhos”, “A Carne é fraca”, “Não matarás”, “Terráqueos”, “Vegana”, “A Engrenagem”, outros filmes: “Geração Fast food”, “Energia pura”, “Lembranças de outra vida”.

Confira algumas das intervenções urbanas do Veganize-já!:

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Para ajudar o movimento Veganize-já link-add-icon clique qui para acessar a página no facebook e entre em contato, serão de grande ajuda doações para compras de tintas e materiais diversos.

Mais informações sobre a lista de livro indicados pelo ativista:

 livro_aprendendo
Aprendendo a Respeitar a Vida
 – Richter, Hildegard Bromberg
 
 
 
 
 
Libertação Animal
 – Singer, Peter
 
 
 
 
 livro_jaulas
Jaulas Vazias: Encarando o Desafio dos Direitos Animais
 – Tom Regan