Sociedade Vegana do Brasil divulga manifesto contra o Bolsonaro

A Sociedade Vegana do brasil publicou ontem 24/10 um manifesto contra o candidato Bolsonaro. No manifesto a Sociedade Vegana do Brasil aborda os pontos negativos e os motivos do manifesto. O manifesto é assinado por diversas organizações, sites, pessoas públicas, personalidades veganas inclusive o site CULTURA VEG. Segue abaixo o texto na íntegra:

PELO DIREITO A TER DIREITOS

Sociedade Vegana do Brasil vem através do presente manifesto deixar claro seu posicionamento quanto a atual situação política do nosso país.
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Estamos na reta final do processo de campanha eleitoral de segundo turno para o cargo de presidente da República onde um dos candidatos, o deputado Jair Messias Bolsonaro (PSL) apresenta-se como a mais aterrorizante voz contra todos os direitos democráticos. O candidato apresenta há décadas um discurso fortemente marcado pela beligerância, ódio, violência e insensibilidade aos mais vulneráveis. Algo que não condiz com a postura de um candidato à presidência de um país que todos nós desejamos: um país que seja mais solidário, justo, igualitário, e sensível as mais diversas causas por justiça social. O retorno ao fascismo que representa o candidato vai literalmente na contramão dos princípios éticos que fundam o modo de vida abolicionista vegano.
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A Sociedade Vegana entende, primeiramente, que o veganismo é o modo de vida que busca eliminar toda e qualquer forma de uso e exploração animais, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento, pesquisa cientifica e comércio. Veganos e veganas opõem-se, obviamente, à caça e a pesca, ao uso de animais em rituais religiosos, bem como a qualquer outro uso que se faça de animais. Os veganos e as veganas devem opor-se, igualmente, a todas as formas de exploração e uso dos animais.
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O candidato do PSL à presidência é favorável à caça como esporte, é praticante de pesca em reservas, tem como proposta eliminar o Ministério do Meio Ambiente como órgão independente, fundindo-o ao da Agricultura, dando plenos poderes ao agronegócio na gestão dessa pasta. Num país que, infelizmente, é o líder em assassinatos de ativistas ambientais, com a ascensão desse candidato, que expressou pretender pôr fim a todo ativismo no Brasil, essa situação poderá se agravar demasiadamente. Não podemos deixar de ressaltar que as ideias do candidato colocam abertamente em risco os pequenos produtores rurais, a agricultura familiar, e todos aqueles que trabalham a terra de maneira agroecológica. O candidato lembra em entrevista, com satisfação e alegria, dos tempos em que praticava zoofilia como algo natural. Posiciona-se extremamente desrespeitoso, com seu racismo característico, quanto às nações indígenas que fundaram esse país, assim como aos quilombos remanescentes e aos quilombolas ali residentes.
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A Sociedade Vegana entende, também, que o veganismo é o modo de vida abolicionista que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração do animal humano. Sim. Somos animais também. E é aqui que reassumimos a radicalidade ética do veganismo. Em certo sentido todas as pessoas são radicais. A maioria de nós é radicalmente contra a violência, radicalmente contra o abuso infantil, a injustiça. Não há nada de errado em ser radical em questões que julgamos justas. O contrário de ser radical é ser moderado. Mas será que é sempre certo sermos moderados? Que imagem devemos ter de uma pessoa que tenha uma visão permissiva em relação a questões como a escravidão, o estupro e tantas outras demonstrações de desumanidade?
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Sim, veganos e veganas são radicais porque não aceitam de forma alguma a exploração dos animais não humanos, assim como não aceitam de forma alguma a exploração do animal humano. Não aceitar significa fazer algo a respeito, mesmo que isso signifique questionar o modo de vida que estamos acostumados a ter. O candidato à presidência Jair Messias Bolsonaro não é só permissivo com a escravidão, estupro, tortura e assassinatos, ele é declaradamente apologista dessas práticas desumanas. Se a sua oposição aos Direitos Humanos é tão clara e abertamente defendida, não nos resta dúvida que sua oposição aos Direitos Animais também o será.
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A Sociedade Vegana vem através do presente manifesto declarar que não apoiamos as propostas fascistas do candidato Jair Messias Bolsonaro por entender que as mesmas ferem os princípios democráticos de uma sociedade plural e laica, os Direitos Humanos e os Direitos Animais. Somos contra toda forma de violência direcionada a comunidade LGBT, afro-brasileira, indígena, ao povo nordestino, às mulheres, aos mais diversos movimentos sociais e às pessoas não humanas. Portanto, em defesa de todos que estão em constante estado de vulnerabilidade, pessoas humanas e não humanas, dos ecossistemas naturais e, de uma sociedade verdadeiramente democrática, dizemos NÃO ao fascismo que o candidato representa.
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Signatários:
ABRAA – Associação Brasileira dos Advogados Abolicionistas
ANDA – Agência de Noticias de Direitos Animais
Animalistas – Resistência Vegana
CAMALEÃO – Ativismo pelos Direitos Animais
COLVE – Unicamp-SP
COMPATA – Associação Passofundense de Proteção aos Animais
CULTURA VEG – Cultura em prol dos animais
EBRAV – Educadores Brasileiros Abolicionistas Veganos
FALA – Frente de Ações pela Libertação Animal
GAE – Grupo pela Abolição do Especismo
GEDA-USP – Grupo de Estudos de Ética e Direito Animal da FDUSP
Liga Animalista
Nação Vegana Brasil
Portal Veganismo – Propagando boas ideias
Programa Momento Animal
Revista Vegane
Revolução Vegana
Associação Bendita Adoção
Vanguarda Abolicionista
VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade
Veganagente
Veganismo Solidário
Vegazeta – Veganismo em Jornalismo, História e Cultura
Veggie Mug Stuffs
Vista-se

Alberto Peribanez Gonzalez – Médico
Andressa Jacobs – Bióloga e educadora
Bruna Dias – Diretora Artística do Coral Câmara LGBT do Brasil
Carlos Cipro – Advogado
Carol Stein – Ativista pelos direitos animais
Dayane Lotti – Psicóloga
Daniel Braga Lourenço – Prof. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Daniela Rosendo – Advogada e Filósofa.
David Arioch – Jornalista e Historiador
Eduardo Corassa – Nutricionista Crudívoro
Eline Bélier – musicista e professora
Ernesto Luiz Marques Nunes, Sociólogo
Evely Vânia Libanori – Profa. Universidade Estadual de Maringá
Fabio Alves Gomes de Oliveira – Prof. Universidade Federal Fluminense
Francisco Athayde – Educador Humanitário
Gilmar Zampieri – Teólogo e Frade capuchinho
Laerte Fernando Levai – Promotor de Justiça
Larissa Popazoglo – Bióloga
Márcia Libório Chaplin – Advogada
Marina O. de Souza Dias – Profa. Universidade Federal de São Paulo
Mauricio Varallo – Comunicólogo
Nana Indigo – Atriz
Nazareth Agra Hassen – Filósofa da Educação e Antropóloga
Neide Schulte – Profa. Universidade do Estado de Santa Catarina
Oberom Om – Professor de Yoga e escritor
Orlando Chavatta – Artista e produtor cinematográfico
Paulo Cesar Facin – Prof. Universidade Estadual de Ponta Grossa
Paulo Fradinho – Arte Educador
Rita Leal Paixão – Profa. Titular da Universidade Federal Fluminense
Roberto Gonçalves Juliano – Professor e escritor
Sarah Rodrigues dos Santos – Escritora e educadora matemática
Tamara Bauab Levai – Bióloga ecofeminista
Vânia Rall Daró – Advogada e tradutora juramentada