Vegana desde que nasceu, francesa de 40 anos abre o jogo: agradeço!

Atualmente, muitas crianças já nascem veganas. É natural que pais veganos eduquem seus filhos assim e, como sabemos que é perfeitamente possível e saudável, as crianças vão crescendo felizes e conscientes de seu papel no mundo, ao mesmo tempo em que se torna norma a alimentação vegetariana e não contrário.

Mas, há algum tempo atrás isto era muito raro. Quase todos os veganos adultos da atualidade ou já comeram carne de animal ou, ao menos comeram suas secreções, como proto-vegetarianas; existem alguns raros que nasceram veganos e é esta experiência que Cédricia, uma mulher de 40 anos, nascida em 1975 na França, nos conta.Cédricia2Esta entrevista foi baseada na reportagem do cotidiano francês “Le plus”. Acesse aqui:

Em 1970, a avó materna de Cédricia adoeceu e lhe foi dado seis meses de vida. Desesperados, os pais de Cédricia pesquisaram por alternativas e descobriram um livro sobre alimentação natural “Tu vivras 100 ans” (Você viverá 100 anos). O livro pregava o vegetarianismo, ou seja, a eliminação de qualquer produto de origem animal. Assim, o pai de Cédricia virou vegano e sua mãe proto-vegetariana. A avó de Cédricia adaptou-se à dieta vegetariana e viveu por mais 10 anos.

Cinco anos depois, Cédricia nasceria e seria educada dentro da filosofia vegana. Ela cresceu saudável e nunca sentiu vontade de comer derivados animais.

Ela diz: “Meus pais sempre foram muito cuidadosos com minha saúde. Eu fazia exames de sangue uma vez por ano, tomava suplementos e era muito consciente de minha alimentação, desde pequena. Até hoje, faço meus exames regularmente e cuido muito bem de minha saúde”.Cédricia

Eles tentaram me obrigar a comer carne

Se hoje o preconceito contra crianças veganas ou mesmo adultos já é complicado, imagine nos anos 70? Cédricia conta que ela era constantemente punida pelas merendeiras por não querer comer carne. “Elas me deixavam de castigo, sentada na cantina, até eu comer. Como eu não comia, eu ficava horas sentada, até meus pais chegarem. Quando eles descobriram, eles passaram a me fazer uma lancheira, pois as tentativas de adaptar o cardápio na escola foram todas frustradas”.

Além deste problema, Cédricia logo aprendeu que deveria manter sua dieta e filosofia de vida escondidas. Ela conta que as crianças, colegas e professores não reagiam bem e ela resolveu simplesmente não falar mais sobre o assunto abertamente.

“Quando não queria começar uma discussão, eu simplesmente mentia e dizia que era alérgica a leite, carnes e derivados. As pessoas aceitavam bem”.Cédricia3

Vida social

Cédricia convive bem com flexitarianos (pessoas que comem qualquer coisa). Ela diz que todos os seus amigos comem animais e derivados. Ela não tem problema com isso e eles também a aceitam bem hoje em dia. Ela apenas faz questão de somente namorar homens, no mínimo proto-vegetarianos.

“Para mim, comer animais e seus fluídos é totalmente estranho. Isto não é comida. As pessoas me perguntam se eu sinto vontade de comer chocolate ao leite, pudim, doces, churrasco, mas eu digo que não, e isto é óbvio para mim. Eu nunca vi animais como alimento. Não sinto vontade de comê-los. O leite é uma secreção da vaca para o bezerro. É como se eu quisesse tomar leite de rata. É para o filhote. Não é alimento, simples assim. Então, eu não conseguiria beijar um homem que acabou de comer um animal. É como pessoas não fumantes que preferem namorar não fumantes. Não é preconceito, mas apenas uma escolha”.

Saúde

Segundo Cédricia, o veganismo não a faz uma super-heroína.

“Eu já tive resfriado. Nunca tive nada sério, mas já fiquei doente. Acho que isto faz parte da vida. Não é porque sou vegana desde que nasci que morrerei depois ou serei imune a doenças. Não faço pela saúde, faço porque me é natural, pelos animais e pelo meio-ambiente”.

Não sou melhor que os outros

Cédricia termina a entrevista dizendo que não se acha melhor do que ninguém. Ela apenas acredita no veganismo como filosofia de vida e uma atitude mais ética e ecológica.

“Não é possível ser ecológica e não ser vegana. Simples assim”!